terça-feira, abril 01, 2014
O Zé conta a história de quando/como se tornou sonhador.
Logo quando ganhei meu primeiro equipamento profissional e comecei a fotografar, humildemente, pedi orientação à um fotógrafo famoso no RJ, embora o tipo de fotografia dele não fosse o meu estilo. Fiz perguntas técnicas sobre kit de lentes e este, me ajudou com alguns links interessantes para um melhor aproveitamento do cenário para as minhas fotos e do meu material em si. Com a técnica, me ajudou relativamente pouco, mas me deu um conteúdo bacana para que eu pudesse ler. Bastante atenção direcionada, contrariando o meu pensamento de que eu estava lhe ocupando todo o tempo. Mas não senti um nível bom durante a conversa, não fui tratada como um semelhante ou alguém que apenas quer partilhar do mesmo sonho. Acatei a disparidade por respeito e mais uma vez, humildade, já que eu o procurava. A conversa foi ficando cada vez mais invasiva e até mesmo pessoal. Parecia que eu estava sobre uma peneira, como se esse mundo de fotógrafos do RJ não tivesse espaço pra mais ninguém, muito menos pra mim. Interrompi a conversa e prossegui com a minha procura por informações e influências por conta própria. Como cheguei até a ele por intermédio de alguém muito próximo, este foi interceptado por mensagem, o fotógrafo famoso o questionava sobre eu estar me dando bem com minhas aquisições. Quando respondida a pergunta, o fotógrafo famoso disse:
"É... cada um sabe o que faz com o dinheiro dos pais."
Sim, cada um sabe o que faz com a ajuda de um pai que acredita num sonho da sua única filha, mas tenha certeza de que tive que abdicar de muitas coisas em virtude de uma câmera fotográfica profissional. Roupas novas que não compro faz um tempo, presentear amigos ou jantares a fora. Só eu sei o perrengue que é pro meu pai, professor do Estado e do município, financiar o equipamento, confiando esse valor a mim e ainda arcar com meu projeto pessoal que é fotografar toda a América do Sul, passando o sufoco que for! Me alimentar bem só quando garantir a minha volta, viajar sozinha por estradas perigosas e sem contato celular algum.
Só eu sei o que é fotografar sem esperar nenhum retorno, muito menos financeiro!
Não tenho pudor ou ciúme do que fotografo, não espero que um registro meu ganhe reconhecimento astronômico. A fotografia é só o meu jeito de encarar a vida. Sabe as pessoas que procuram um psicólogo quando estão tristes ou aquelas que procuram algo que as conforte? Então, eu vou de encontro à minha câmera, sempre que preciso. Não importa o sentimento de tristeza ou extremo contentamento, eu consigo transmitir apesar de. Eu eu sei que eu posso fotografar independente de qualquer coisa que me aconteça de pior, porque os segundos entre: avistar uma cena, me sentir parte dela e dar o click do disparo do obturador, são os melhores da minha vida. Sempre. Essa é a minha arte. Eu sou artista sim, ora, por que não? Que tipo de parâmetros eu terei que me encaixar pra eu poder ter plena certeza de que enxergo a vida sob meus próprios olhos e aplico muito, mas muito, sentimento ao que transmito? Essa é realmente a minha vida. Espero que nada interfira nessa minha vontade de continuar com esse utopismo que tem transformado toda a minha realidade. Algumas das minhas histórias mais loucas, a fotografia esteve presente. Desde criança. Tipo quando eu fiz um book da minha gatinha quando eu tinha 6 anos e no dia seguinte, ela faleceu por envenenamento. Ou quando meu pai deixou de ir a uma viagem comigo e com a minha madrinha, que era pra ter dinheiro pra comprar uma câmera pra eu poder levar comigo nessa viagem. Ele nunca imaginou que eu pudesse saber disso algum dia.
Ou ser agraciada com uma foto da minha mãe sorrindo no trabalho, poucos dias antes de nos deixar. Ou quando descobri no meu armário, uma câmera velha e completamente mecânica, e mesmo sem filmes, eu fotografava e me divertia muito! muito! rs
Eu venho de uma família minúscula, mas cheia de álbuns de recordações e hoje, a única certeza que eu tenho, é que na construção da minha família, eu quero ter registros de tudo, eu quero que essa história se perpetue porque sonho em ver o rosto da minha mãe interferir nos traços do rosto de um filho meu e ter tudo isso revelado e guardado numa caixinha de madeira, tipo a que o meu amor me deu que é para eu guardar lembranças das minhas viagens. Eu quero muito isso e vou lutar pelo direito de tê-lo. Vou lutar junto com quem fotografa de VERDADE, sem rancores e decepções, que é pra manter essa tradição. A fotografia me deu vida e por ela, terei paixão eterna.
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