terça-feira, abril 01, 2014
Roteiro do rodeio::
Um dia ela resolveu voltar pelo meio da rua. Tinha calçada: ela queria rua.
Cheirou umas folhas do que descobriu ser de limão, mas inicialmente, era de quem sabe, hortelã ou laranja....
Só olhava para trás para observar os sinais de trânsito: o vermelho das coisas aderia vida à sua alma torpe e vibrante.
Os carros batendo no lado direito do seu corpo, o som do silêncio sendo quebrado. Sua metade esquerda sentiu uma ligeira inveja. A moça acabou por concluir que seu amor só poderia ser mesmo por tudo o que lhe concede vida intensamente vivida e depois, de maneira brutal, dor.
Imaginou uma dezena de outras babozeiras e havia sons de estranhos, havia sons de estranhos. Mas eles eram estranhos. Havia uma dança. A moça bailou sozinha. Ela sempre baila sozinha.
A moça chorou. A moça chorou. Desde o dia em que acordou com uma pequena aranha em um dos olhos: o direito, sempre o direito, resolveu ser triste por essa interferência banal assombrando sua visão.
A moça chorou e, nessa noite, justamente nessa, foi pela falta da sombra irritante na janela direita da sua doença. Sentiu falta de ver o mundo com seus olhos carimbados de sorte e particularidade.
A moça chorou. Sim. A moça chorou e não foi pela falta da presença do sujeito irritante que não parava de abusar dos espaços. Chorou justamente por enxergá-lo, mas não da mesma forma. Que falta a dona pequena aranha pode fazer!
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