Entre a passarela seis e a sete da av Brasil, há uma outra recém construída, ainda de madeira. Depois de muitos túneis, desci junto a um multuado de gente exatamente nesse ponto.
Esperei aquele "bolo" todo atravessar, respirei, e me agarrei ao primeiro indício de impulso. Não seria novidade alguma, ter que admitir que sou meio apavorada quando o assunto é altura. Completando a escada de acesso, cheguei ao topo com um absurdo desconforto. (Tenho excessos no desenrolar dos fatos, vocês bem sabem! Parece tagarelice, mas a verdade é que em algum momento nessa vida, desejo ser cronista. E como dizia Clarice: "Eu tenho o direito ilanienável de me auto alienar". Tracei roteiro pelo meio, seguindo pelo alicerce principal, mas a cabeça não parava de martelar: "É nessa hora exata em que resolvi atravessar por aqui, que essa porra irá cair! Aposto! Que é pra ilustrar bem a minha vidinha, que é pra eu me sentir acertada em cheio!" Todo mundo que passava, perdia os olhos naquele corpo pálido, agora tendendo para a esquerda, com as mãos apoiadas nas grades, atordoada com a sensação das tábuas levantarem até uma certa altura quando tocadas pela sola dos pés na outra extremidade, e o barulho que isso fazia. Quase consegui fazer com que todos partilhassem do mesmo desespero, mas acabei sozinha. Quem dera eu fosse mais dramática, ou quem dera, meu drama ser mais convincente. De súbito, me recordei de todas as situações em que me vi insegura: A mão que me queimara num "passar de roupas". A mãe que me deixara aos oito; O grito do apático e o silêncio do subversivo. Carros na rua, em velocidade baixa, beirando a calçada, depois das onze. Uma vez, perder voce; Nao fazer parte do rítmo dos românticos; Guardar minhas fotografias em pedacinhos minúsculos de computador e a possibilidade de perdê-las no menor dos descuidos; Telefonemas de madrugada, noticiando algo ruim; Ter que ligar coisas à tomadas, passar por escadas sem corrimões; Descer um escorrego sentada e de frente. Estar sozinha num vagão de trem a qualquer hora do dia; Olhares fixos por mais de 2 segundos; Jogos de azar. Muitas promessas; nenhuma promessa; Pessoas perceberem que eu estava presente enquanto faziam algo de errado; O desvio de olhar, mirando o chão, milésimos de segundos após responderem uma pergunta minha; Enfiar a mão em um cano. Lugares cheios demais; esquinas; travessias. E tábuas que ligam um ponto a outro sobre lugares acima de um metro! E estava bem ali, congelada. Eu, que evitava reparar nas frestas entre as lascas de madeira: Travei na metade do fim justamente por notar que elas estavam cada vez maiores. Fechei os olhos. Que tolice. Por que não dou seguimento ao impulso que me atingiu no começo? Quanta paranóia! É só isso! Ainda segurando a grade, me virei cuidadosamente. E como quem tinha errado o sentido: Zona Oeste x Zona Sul, voltei o caminho percorrido. Não errei o sentido. Perdi todo ele. Se é que algum dia o tive, nunca durou muito tempo. Agora escrevo como quem tomou a egoísta decisão de só fazer o que trouxer a vazia sensação de completa segurança. E chego à triste conclusão, ao menos momentânea, de não poder mais superar os limites da minha natureza. Parece humildade, mas tá mais pra uma validação da mediocridade dessas últimas semanas. |
sábado, outubro 25, 2014
Minha contribuição para: Fatos de uma semana utópica.
Aqui jaz.
Uma das coisas que aprendi em 2003, é que: Se você conseguir passar pelo primeiro dia, será uma longa caminhada cheia de auto avaliações e grandes desesperos, mas você certamente sobreviverá.
O primeiro dia é sempre o mais longo e doloroso de todos.
Você o atravessará e não poderá nutrir vergonha ou achar que lhe falta sensibilidade e até humanidade, por ter seguido em frente, mesmo estando em frangalhos.
Tem que ser grato!
A grande maioria surta logo nos primeiros minutos.
Das conversas sobre perder alguém...
Essa vai para a lista de conclusões!
Quando uma pessoa chega e me cumprimenta perguntando: "E aí beleza/ tudo bem?" e eu respondo: "Beleza", sem uma retórica...
É certo que nenhum dos dois está interessado em saber se está tudo bem com o outro ou não.
Um mundo inteiro de relações superficiais.
É certo que nenhum dos dois está interessado em saber se está tudo bem com o outro ou não.
Um mundo inteiro de relações superficiais.
Mundana
A construção do caráter, sem a constante vigilância sobre a sua manutenção é como ter em seu quintal, uma árvore de tronco espesso e prolongado, cujos galhos estão tão entranhados, que a vida do solo não alimenta mais, não dá sustância.
Nem o mais imponente alicerce, sustenta andares pouco nutridos.
A árvore morre.
Minha fotografia é a inquietação que precede um movimento. Minha fotografia sou eu.
Minha fotografia é parte de uma prece muito, muito maior do que eu.
É a minha mais verdadeira forma de altruísmo.
Estou doando exatamente tudo o que tenho, aqui e agora!
Pego para mim, inúmeros ensinamentos. Acho até que sou forte!
Estou honrada. Me sinto inteira.
Eu tenho companhia!
Tenho um amor profundo e inquieto por ela.
...
Eu sou imensamente feliz!
É a minha mais verdadeira forma de altruísmo.
Estou doando exatamente tudo o que tenho, aqui e agora!
Pego para mim, inúmeros ensinamentos. Acho até que sou forte!
Estou honrada. Me sinto inteira.
Eu tenho companhia!
Tenho um amor profundo e inquieto por ela.
...
Eu sou imensamente feliz!
domingo, setembro 21, 2014
Ontem saí pra ver o mar sob um céu sem estrelas.
Após uma longa caminhada, retornei para "casa" lá pelas 4 da manhã.
Especialmente nessa noite, me senti estranhamente a vontade andando tanto e pegando o estranho barco de um ano atrás.
Um choro de bebê atravessou o silêncio da madrugada. Desesperador. A criança deveria ter poucos dias de vida. No colo da mãe, acompanhada do marido. Fazia um frio desproporcional e o nenem desagasalhado. O pai não parava de jogar baforadas de cigarro na cara do recém nascido e eu nem disfarcei que prestava atenção. A moça, nova até, estava toda atolada com a mochila pesada e pedia pela mamadeira do bebê. O rapaz entra no barco, procura por dois segundos, a mamadeira do próprio filho e grita: "NÃO CONSIGO ENCONTRAR, NÃO! PROCURA VOCÊ! NENEM MAL HUMORADO DO CARAMBA!". O nenem chorava tanto, a situação foi tão constrangedora para a mulher... Fiquei transtornada! A moça com a mochila aberta, todas as coisas quase caindo na água.
Isso mexeu tanto comigo! Como um homem pode tratar uma mulher assim, sua esposa, seu próprio filho? Como o ser humano tem se tornado extremamente egoísta, arrogante e de atitudes tão monstruosas? Assim como eu reparava toda aquela situação, todos olhavam perplexos. Não rolou agressão, mas não é só com tapas e socos que se consegue ferir alguém. As palavras doem bem mais, acertam em cheio. Não consigo parar de pensar em como aquela mulher se sente desamparada e o tanto de humilhações que deve sofrer todos os dias. Parecia algo tão natural, em nenhum momento, ela respondeu à altura. Parecia extremamente cansada e profundamente magoada. É aí que todas as mulheres se reconhecem um pouco. Isso tudo independe do quão forte é o ser humano, somos humilhadas até mesmo por estranhos na rua, por "amigos" que nos enxergam como inferiores ou como flertes obrigatórios pra passar o tempo. Não suportaria viver junto de alguém que não olhasse para mim todos os dias com olhos de respeito, que me defendesse até mesmo da ideia, da maldita ideia que qualquer um pudesse ter sobre querer me ridicularizar, me humilhar. Acho mesmo que acredito num amor paciente e amigo, acima de tudo. Não existe mulher fraca e submissa, existe um coração torturado demais pra se levantar. Desolado demais pra seguir em frente. Ser cúmplice de alguém é tão difícil, tantos defeitos e diferenças somadas. Eu não nasci pronta. Na verdade, eu nasci ontem! Eu nada sei sobre nada, mas odiaria vir a ser alguém que esmaga o sonho dos outros ou quem tem o ideal de "coletivo", fazer par: Cabeça e umbigo.
Até posso dizer que tive sorte nos meus encontros, mas me conhecer foi fundamental.
Hoje, luto por um futuro livre de machismos e até mesmo de "achismos" sobre o que é bom para a mulher.
Que todos tenham a sorte de um amor tranquilo, mas se não for possível, duas doses de amor próprio.
Teu corpo é a tua casa. Cuida-te.
Após uma longa caminhada, retornei para "casa" lá pelas 4 da manhã.
Especialmente nessa noite, me senti estranhamente a vontade andando tanto e pegando o estranho barco de um ano atrás.
Um choro de bebê atravessou o silêncio da madrugada. Desesperador. A criança deveria ter poucos dias de vida. No colo da mãe, acompanhada do marido. Fazia um frio desproporcional e o nenem desagasalhado. O pai não parava de jogar baforadas de cigarro na cara do recém nascido e eu nem disfarcei que prestava atenção. A moça, nova até, estava toda atolada com a mochila pesada e pedia pela mamadeira do bebê. O rapaz entra no barco, procura por dois segundos, a mamadeira do próprio filho e grita: "NÃO CONSIGO ENCONTRAR, NÃO! PROCURA VOCÊ! NENEM MAL HUMORADO DO CARAMBA!". O nenem chorava tanto, a situação foi tão constrangedora para a mulher... Fiquei transtornada! A moça com a mochila aberta, todas as coisas quase caindo na água.
Isso mexeu tanto comigo! Como um homem pode tratar uma mulher assim, sua esposa, seu próprio filho? Como o ser humano tem se tornado extremamente egoísta, arrogante e de atitudes tão monstruosas? Assim como eu reparava toda aquela situação, todos olhavam perplexos. Não rolou agressão, mas não é só com tapas e socos que se consegue ferir alguém. As palavras doem bem mais, acertam em cheio. Não consigo parar de pensar em como aquela mulher se sente desamparada e o tanto de humilhações que deve sofrer todos os dias. Parecia algo tão natural, em nenhum momento, ela respondeu à altura. Parecia extremamente cansada e profundamente magoada. É aí que todas as mulheres se reconhecem um pouco. Isso tudo independe do quão forte é o ser humano, somos humilhadas até mesmo por estranhos na rua, por "amigos" que nos enxergam como inferiores ou como flertes obrigatórios pra passar o tempo. Não suportaria viver junto de alguém que não olhasse para mim todos os dias com olhos de respeito, que me defendesse até mesmo da ideia, da maldita ideia que qualquer um pudesse ter sobre querer me ridicularizar, me humilhar. Acho mesmo que acredito num amor paciente e amigo, acima de tudo. Não existe mulher fraca e submissa, existe um coração torturado demais pra se levantar. Desolado demais pra seguir em frente. Ser cúmplice de alguém é tão difícil, tantos defeitos e diferenças somadas. Eu não nasci pronta. Na verdade, eu nasci ontem! Eu nada sei sobre nada, mas odiaria vir a ser alguém que esmaga o sonho dos outros ou quem tem o ideal de "coletivo", fazer par: Cabeça e umbigo.
Até posso dizer que tive sorte nos meus encontros, mas me conhecer foi fundamental.
Hoje, luto por um futuro livre de machismos e até mesmo de "achismos" sobre o que é bom para a mulher.
Que todos tenham a sorte de um amor tranquilo, mas se não for possível, duas doses de amor próprio.
Teu corpo é a tua casa. Cuida-te.
Nude.
Ela irá lhes contar:
Sobretudo, do amor indizível pelo pai.
Imagine que:
Logo na infância,
Como quem descobria termos num caça palavras dos anos 30, tomava nota de sentimentos ainda não desmistificados - Coitada.
Tudo muito latente. Carente. Imponente. Ou nada!
Junto à doação, uma prece.
Nunca, nada lhe foi bem pago.
A mão invisível da mãe. Desapontamento.
É notório: Não sabe viver. Pouco aprendeu sobre morte. Sobre sorte.
Sobre o que é preciso ter. O quanto é importante ceder.
Ama quem lhe dá ouvidos. É de quem lhe conta histórias.
Goza de audácias, não teme ser atroz.
Louca de alma volátil. Segura, perdeu a linha. Os pontos. O nó.
A voz não aquietou-se. De tão alta, roubou-lhe a direção.
Fez morada em uma cidade de poucos refúgios. Não fez cara pra noite tempestiva. Mas comoveu. Quem passava pelo conto, sentiu.
Jamais dissera uma palavra rude. O silêncio que ela deixava, era bem mais contundente. Um rosto confiante. A fé a traiu. Mas fez bem a moça sonhar! Fez bem essa moça seguir viagem! Se tivesse parado no "saber pouco ou quase nada", não teria dado curso ao rio de outrem.
Se viu feliz com o contento do tamanho de uma migalha. De feito em feito, viverás mal, mas para sempre.
Sobretudo, do amor indizível pelo pai.
Imagine que:
Logo na infância,
Como quem descobria termos num caça palavras dos anos 30, tomava nota de sentimentos ainda não desmistificados - Coitada.
Tudo muito latente. Carente. Imponente. Ou nada!
Junto à doação, uma prece.
Nunca, nada lhe foi bem pago.
A mão invisível da mãe. Desapontamento.
É notório: Não sabe viver. Pouco aprendeu sobre morte. Sobre sorte.
Sobre o que é preciso ter. O quanto é importante ceder.
Ama quem lhe dá ouvidos. É de quem lhe conta histórias.
Goza de audácias, não teme ser atroz.
Louca de alma volátil. Segura, perdeu a linha. Os pontos. O nó.
A voz não aquietou-se. De tão alta, roubou-lhe a direção.
Fez morada em uma cidade de poucos refúgios. Não fez cara pra noite tempestiva. Mas comoveu. Quem passava pelo conto, sentiu.
Jamais dissera uma palavra rude. O silêncio que ela deixava, era bem mais contundente. Um rosto confiante. A fé a traiu. Mas fez bem a moça sonhar! Fez bem essa moça seguir viagem! Se tivesse parado no "saber pouco ou quase nada", não teria dado curso ao rio de outrem.
Se viu feliz com o contento do tamanho de uma migalha. De feito em feito, viverás mal, mas para sempre.
quarta-feira, agosto 27, 2014
Artchê.
Infelizmente, a arte se desenvolve pelas mãos, também, da curadoria e não pelo artista por si só.
Assim como, o que faz uma entrevista ter voz não é o entrevistado e sim, o entrevistador.
É ele quem dita o que você pode ser, vir a se tornar, o que pode salientar e o que deve deixar de fora. Mesmo que a parte descartada seja a sua maior verdade, deve estar, primeiramente, sobre avaliação do público alvo. O entrevistador, além de condutor do relato, é o primeiro telespectador real da sua história, com todos os julgamentos possíveis e o fator limitante do que é ou não, interessante.
É por isso que há tantos artistas frustrados, pautas sem premissa e mídias oportunistas.
Ninguém quer dar espaço a um orador sem audácia.
Quem lapida é quem domina a arte do jogo. Este, mais relevante, mais valioso, do que o próprio diamante.
Fotografia é sempre mais amor!
A fotografia pondera a arte do esquecimento.
Sim, porque esquecer é uma arte!
Mas...
O sentimento de desapontamento, revolta e por fim, tristeza, nos faz excluir por completo toda a história boa.
A fotografia preserva o que há de mais bonito e necessário ser guardado: O sentimento genuíno que um dia existiu.
Às vezes, saudosismo. Quem sabe, combustível para outro tempo, um recomeço.
O que eu sei,
É que cada registro é uma prece!
Que não morra nunca:
Esse momento, nós dois!
Eu e o mundo, meu mundo.
Latinessência::
Não posso encarar outros horizontes sem primeiro me encontrar.
Não posso conquistar o mundo, sem primeiro, você por mim se apaixonar.
Nem Europa e nem muito menos a América dos EUA, por hora, nem Ásia ou os povos da África.
É você, América Latina. É você.
Esse é o meu chamado, então eu vou.......
Só não me ensinou a te esquecer...
Você me ensinou a amar o silêncio,
A solidão.
A ouvir como ouvem os surdos.
E a sentir. Verdadeiramente sentir.
A ter compaixão pelo desespero
A encontrar razão no inadmissível
A mirar o inimaginável
A acreditar no incabível
A solucionar o improvável
A desmistificar o irreconhecível
A duvidar do inquestionável
A andar sob meus próprios pés
A conviver com a saudade
A me comprimir pra transcender
A ter certeza do impossível
E almejar o intocável
A participar da luta não armada
Ou quem sabe, ser sempre, armada de luta.
Sorridente e perspicaz.
Forte e tolerante.
Você que me ensinou a ser
Apesar de...
Apesar de...
Agora,
Apesar da sua ausência (física)
Não saberia como viver melhor!
Graças a você.
Graças a você.
É tudo por você.
Você me ensinou a ir
Mas há todo momento, com a certeza de que o melhor colo
Sempre esteve em minha casa.
E agora, está em meus sonhos.
Quero um dia,
Poder ser para um filho meu,
Um pouco do que você foi pra mim.
Mãe.
Conclusão sobre o que me impulsiona::
O mais incrível é que se eu pudesse ver seu rosto novamente,
Ele certamente estaria sorrindo...
Pra mim...
Gosto de voar,
Juntamente com fotografar e viajar...
Porque todas estas coisas maravilhosas, juntas, me aproximam de você.
terça-feira, abril 01, 2014
Poema em forma de pedido::
Me ajude a ler as entrelinhas das entrelinhas
E a compreender.
Me ajude a questionar os sábios de línguas compridas, falácias intermináveis!
E os tolos que a tudo se submetem.
Perda minho de Dezembro
Eu perdi tudo o que toquei.
Todas as coisas se foram.
Estou nua e crua. Palavra nenhuma serve de consolo agora. Senhor Deus, eu não quero mais adentrar em vida alguma. Senhor Deus, eu não sou boa para ninguém. Eu enlouqueço a mim mesma. Auto destrutiva. Incoerente. Insensível, sentindo. Sentindo muito. Sentindo tudo. O que resta agora? Eu gerei o caos em mim mesma! Não há outrém culpado.
Só mais uma dose de fé::
Assim como a Sabedoria é uma mulher e não tem amor por quem é covarde,
A Fé, que também é fêmea, é orgulhosa e não sabe perder. Confiante em resultados, esquece o quanto é frágil. Não há emendas para o fio que se rompe. Seja lá qual for o meu plano, qual é a dose de humildade necessária para eu enxergar que perdi?
???
Será que meu amigo imaginário comprou sapatos novos?
Será que ele me empresta algum dia?
Roteiro do rodeio::
Um dia ela resolveu voltar pelo meio da rua. Tinha calçada: ela queria rua.
Cheirou umas folhas do que descobriu ser de limão, mas inicialmente, era de quem sabe, hortelã ou laranja....
Só olhava para trás para observar os sinais de trânsito: o vermelho das coisas aderia vida à sua alma torpe e vibrante.
Os carros batendo no lado direito do seu corpo, o som do silêncio sendo quebrado. Sua metade esquerda sentiu uma ligeira inveja. A moça acabou por concluir que seu amor só poderia ser mesmo por tudo o que lhe concede vida intensamente vivida e depois, de maneira brutal, dor.
Imaginou uma dezena de outras babozeiras e havia sons de estranhos, havia sons de estranhos. Mas eles eram estranhos. Havia uma dança. A moça bailou sozinha. Ela sempre baila sozinha.
A moça chorou. A moça chorou. Desde o dia em que acordou com uma pequena aranha em um dos olhos: o direito, sempre o direito, resolveu ser triste por essa interferência banal assombrando sua visão.
A moça chorou e, nessa noite, justamente nessa, foi pela falta da sombra irritante na janela direita da sua doença. Sentiu falta de ver o mundo com seus olhos carimbados de sorte e particularidade.
A moça chorou. Sim. A moça chorou e não foi pela falta da presença do sujeito irritante que não parava de abusar dos espaços. Chorou justamente por enxergá-lo, mas não da mesma forma. Que falta a dona pequena aranha pode fazer!
Sem ação, conclusão::
Se, ao enxugar as lágrimas que causei, permaneço em silêncio::
Sinal de caráter forte.
Mas, principalmente, sinal de que sou impotente
Perante o motivo pelo qual elas retornarão ao seu rosto.
Perante o motivo pelo qual elas retornarão ao seu rosto.
Coragem demais, porém::
Alguns desatinos me enamoram
Outros não me enchem os olhos
Mesmo que sejas louco por mim,
Sua loucura não é compatível com a minha.
Insanos reversos.
Por mais um hoje, pinto e bordo amor!
Receber amor de quem se tem amor, é como ter o mundo colorido com os tons da palheta de cores que mais amo!
É me enxergar como uma alma de artista que tudo pode, tudo transcende. É um corpo que vibra sem precedentes. É um coração benevolente e agradecido. É ter a certeza que a precisão do traço inundará o desenho da vida com as dimensões exatas do sonho que anseio.
Poema ao MEU Chicão
Lorota de Loreta
Quando amamos de verdade, nem mesmo a morte desse alguém nos faz esquecer.
Mas quando não amamos, até a vida eterna desse ser não nos entorpece mais.
Remembrando
A la Cazuza, fatos de uma semana utópica:
Segunda feira:
Ler nas entrelinhas. Guardar só o que for bom, enxergar além de:.
O Zé conta a história de quando/como se tornou sonhador.
Logo quando ganhei meu primeiro equipamento profissional e comecei a fotografar, humildemente, pedi orientação à um fotógrafo famoso no RJ, embora o tipo de fotografia dele não fosse o meu estilo. Fiz perguntas técnicas sobre kit de lentes e este, me ajudou com alguns links interessantes para um melhor aproveitamento do cenário para as minhas fotos e do meu material em si. Com a técnica, me ajudou relativamente pouco, mas me deu um conteúdo bacana para que eu pudesse ler. Bastante atenção direcionada, contrariando o meu pensamento de que eu estava lhe ocupando todo o tempo. Mas não senti um nível bom durante a conversa, não fui tratada como um semelhante ou alguém que apenas quer partilhar do mesmo sonho. Acatei a disparidade por respeito e mais uma vez, humildade, já que eu o procurava. A conversa foi ficando cada vez mais invasiva e até mesmo pessoal. Parecia que eu estava sobre uma peneira, como se esse mundo de fotógrafos do RJ não tivesse espaço pra mais ninguém, muito menos pra mim. Interrompi a conversa e prossegui com a minha procura por informações e influências por conta própria. Como cheguei até a ele por intermédio de alguém muito próximo, este foi interceptado por mensagem, o fotógrafo famoso o questionava sobre eu estar me dando bem com minhas aquisições. Quando respondida a pergunta, o fotógrafo famoso disse:
"É... cada um sabe o que faz com o dinheiro dos pais."
Sim, cada um sabe o que faz com a ajuda de um pai que acredita num sonho da sua única filha, mas tenha certeza de que tive que abdicar de muitas coisas em virtude de uma câmera fotográfica profissional. Roupas novas que não compro faz um tempo, presentear amigos ou jantares a fora. Só eu sei o perrengue que é pro meu pai, professor do Estado e do município, financiar o equipamento, confiando esse valor a mim e ainda arcar com meu projeto pessoal que é fotografar toda a América do Sul, passando o sufoco que for! Me alimentar bem só quando garantir a minha volta, viajar sozinha por estradas perigosas e sem contato celular algum.
Só eu sei o que é fotografar sem esperar nenhum retorno, muito menos financeiro!
Não tenho pudor ou ciúme do que fotografo, não espero que um registro meu ganhe reconhecimento astronômico. A fotografia é só o meu jeito de encarar a vida. Sabe as pessoas que procuram um psicólogo quando estão tristes ou aquelas que procuram algo que as conforte? Então, eu vou de encontro à minha câmera, sempre que preciso. Não importa o sentimento de tristeza ou extremo contentamento, eu consigo transmitir apesar de. Eu eu sei que eu posso fotografar independente de qualquer coisa que me aconteça de pior, porque os segundos entre: avistar uma cena, me sentir parte dela e dar o click do disparo do obturador, são os melhores da minha vida. Sempre. Essa é a minha arte. Eu sou artista sim, ora, por que não? Que tipo de parâmetros eu terei que me encaixar pra eu poder ter plena certeza de que enxergo a vida sob meus próprios olhos e aplico muito, mas muito, sentimento ao que transmito? Essa é realmente a minha vida. Espero que nada interfira nessa minha vontade de continuar com esse utopismo que tem transformado toda a minha realidade. Algumas das minhas histórias mais loucas, a fotografia esteve presente. Desde criança. Tipo quando eu fiz um book da minha gatinha quando eu tinha 6 anos e no dia seguinte, ela faleceu por envenenamento. Ou quando meu pai deixou de ir a uma viagem comigo e com a minha madrinha, que era pra ter dinheiro pra comprar uma câmera pra eu poder levar comigo nessa viagem. Ele nunca imaginou que eu pudesse saber disso algum dia.
Ou ser agraciada com uma foto da minha mãe sorrindo no trabalho, poucos dias antes de nos deixar. Ou quando descobri no meu armário, uma câmera velha e completamente mecânica, e mesmo sem filmes, eu fotografava e me divertia muito! muito! rs
Eu venho de uma família minúscula, mas cheia de álbuns de recordações e hoje, a única certeza que eu tenho, é que na construção da minha família, eu quero ter registros de tudo, eu quero que essa história se perpetue porque sonho em ver o rosto da minha mãe interferir nos traços do rosto de um filho meu e ter tudo isso revelado e guardado numa caixinha de madeira, tipo a que o meu amor me deu que é para eu guardar lembranças das minhas viagens. Eu quero muito isso e vou lutar pelo direito de tê-lo. Vou lutar junto com quem fotografa de VERDADE, sem rancores e decepções, que é pra manter essa tradição. A fotografia me deu vida e por ela, terei paixão eterna.
Somente no pósfacio ::
- Eu não presenteio com flores.
- Tudo bem.
- Não adianta. Nunca dei flores a ninguém. Não espere por isso. Não sou esse tipo. Em troca, farei muitas outras coisas.
- Tudo bem. Não espero por flores, não ligo pra isso.
Eu realmente não me importo.
Mas...
Acho um profundo desamor fazer um tipo ou outro. Não nos relacionamos com alguém de verdade, nos priorizando sempre.
Quer dizer, por amar alguém, quantas coisas eu fiz sem saber o porquê. Coisas que não faziam meu estilo, coisas que nunca dei importância até achar que meu amor se importava.
Tão pequeno é o gesto. E que mal há em renunciar um pouquinho à um posicionamento e fazer feliz a quem amamos? Quão fria e relutante eu deixei de ser, quão contente me tornei!
- Silêncio
- Silêncio
- Sem flores
- É, sem flores.
Hiato
Quando você ama alguém, ama sobretudo o momento presente.
Mas, deve-se amar além de:.
Devemos nutrir uma vontade, um sentimento de fé no futuro; uma idéia de um laço eterno.
Só assim, poderemos ser respeitosos e amarmos de verdade quando a sede vier à boca.
Mas é claro que alguns vínculos não serão eternos; mudarão suas notas de abertura, se lançarão sobre outras circunstâncias e desejos ou retornarão sob outra forma de amor.
Mas, AMOR, amor sincero e mútuo só poderá nascer do que, no primeiro suspiro, sob o primeiro instinto, foi gerado para ser eterno. Só o que foi feito para ser, pode nos fazer verdadeiros lutadores.
Há tantas decepções nas relações. Somos seres humanos torpes, porém sonhadores.
Acreditamos que na ausência de paixão ou contentamento, em meio às diferenças ou desvios de rota,
A matriz; a essência permanecerá.
Vão os amantes, fica a cumplicidade, ou é guardado com zelo tudo o que foi vivido.
Esse é, e sempre será, o esperado.
É por isso que se por descuido ou falta de interesse, não fores intencionado a fazer desse começo de relação, um instante que realmente dure, não faça casa na minha porta de entrada!
Ora pois, por motivos óbvios: a mulher só ama quem tem coragem e este, é um eterno obstinado, que se alimenta do encantamento, mas com a promessa ingênua, porém viva, da imortalidade.
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